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12 de setembro de 2024#ensaio#astrologia

Sobre o céu real

Por que olhar para as estrelas que de fato nos abraçam, e não para um zodíaco que se descolou delas há quase dois mil anos.

O céu que se moveu

Quando Hiparco mediu os céus no século II a.C., o ponto vernal — onde o Sol cruza o equador celeste no equinócio — coincidia com o início da constelação de Áries. Era um marco, uma costura entre o tempo e o espaço.

Mas o eixo da Terra balança lentamente, como um pião desacelerando. Esse movimento, chamado precessão dos equinócios, desloca o ponto vernal cerca de 1° a cada 72 anos. Hoje, ele já está em Peixes, prestes a entrar em Aquário.

Tropical e sideral

A astrologia tropical congelou o céu de Hiparco. Quando ela diz "Sol em Áries", refere-se ao primeiro mês após o equinócio — não à constelação. Já a astrologia sideral mantém o vínculo com as estrelas reais.

Não se trata de qual está certa. Trata-se de qual pergunta cada uma responde.

A sidérea pergunta: onde, de fato, os astros estão?

Por que isso importa para mim

Porque pintar, escrever e ler o céu são, para mim, gestos de presença. E a presença pede o real.