Sobre o céu real
Por que olhar para as estrelas que de fato nos abraçam, e não para um zodíaco que se descolou delas há quase dois mil anos.
O céu que se moveu
Quando Hiparco mediu os céus no século II a.C., o ponto vernal — onde o Sol cruza o equador celeste no equinócio — coincidia com o início da constelação de Áries. Era um marco, uma costura entre o tempo e o espaço.
Mas o eixo da Terra balança lentamente, como um pião desacelerando. Esse movimento, chamado precessão dos equinócios, desloca o ponto vernal cerca de 1° a cada 72 anos. Hoje, ele já está em Peixes, prestes a entrar em Aquário.
Tropical e sideral
A astrologia tropical congelou o céu de Hiparco. Quando ela diz "Sol em Áries", refere-se ao primeiro mês após o equinócio — não à constelação. Já a astrologia sideral mantém o vínculo com as estrelas reais.
Não se trata de qual está certa. Trata-se de qual pergunta cada uma responde.
A sidérea pergunta: onde, de fato, os astros estão?
Por que isso importa para mim
Porque pintar, escrever e ler o céu são, para mim, gestos de presença. E a presença pede o real.