urania / ✦ / ateliê / ❍ / céu real / ✺ / astrologia / ✦ / tarô / ✦urania / ✦ / ateliê / ❍ / céu real / ✺ / astrologia / ✦ / tarô / ✦urania / ✦ / ateliê / ❍ / céu real / ✺ / astrologia / ✦ / tarô / ✦urania / ✦ / ateliê / ❍ / céu real / ✺ / astrologia / ✦ / tarô / ✦
← Escritos
02 de setembro de 2026#projeto

O que é o projeto Urania

O porquê do projeto Urania — o céu como linguagem, os símbolos que atravessam mito e estética, e o espaço em que essas coisas se tocam.

O porquê

URANIA foi criado a partir dos meus hobbies que se tornaram uma espécie de troca as quais foi preciso estruturar um suporte seguro para que eu e parte da comunidade que se interessa por esses assuntos, trocássemos com respeito e segurança, tanto conhecimento quanto informações pessoais que um estudo astrológico, levado a sério, demanda. Assim, nasce da constelação de intenções e interesses, investigações pessoais que, assim como, as interpretações celestes, servem para mim como utilidade para o entendimento de símbolos que fazem parte da sociedade.

O céu é aqui explorado como metáfora, pois raramente vemos o céu plenamente (além de cientificamente não podermos assegurar completa compatibilidade entre os acontecimentos). O fato é que o "assim na terra como nos céus" é dado quando damos significado à vida pela posição geocêntrica do céu, tal como respeitamos o nosso relógio. Ambos partem de um mesmo princípio, medir.

Como eu dizia, raramente vemos plenamente o céu. As luzes artificiais e a desconexão entre os corpos celestes, não permite às pessoas normais a real compreensão astronômica (muito menos astrológica) da veracidade dos impactos sociais e pessoais disso. De certa maneira, o que despertou em mim grande interesse por essas análises foi o caráter antropocêntrico da abordagem astrológica. Usar os acontecimentos coletivos e individuais, como biografias e acontecimentos geopolíticos, para marcar os corpos celestes e ser realista quanto aos riscos de sua inversão ingênua – supor que o céu dita a sociedade – dispersou uma cortina de fumaça para o que de fato é a astrologia: coordenadas. Portanto, sobretudo na atualidade, o caráter simbólico é a premissa fundamental para a compreensão da realidade, já que virtualmente falamos e nos correspondemos através de signos tanto dos signos linguísticos, obviamente, como dos signos estéticos.

A linguagem é signo, mas aqui elas exploram os símbolos e acontecimentos que fenomenologicamente se expressam na realidade material e outros que são introduzidos por outra ordem de fatores, como culturas, etnicidades e design de tudo isso. O que ocorre nos humanos a partir desse movimento é a possibilidade de compreensão do que há de mais sútil, ou seja, a proximidade com alguma compreensão dos arranjos e conjuntos perfeitamente destrutivos caso queiramos tocar com definições.

Os detalhes contam, mas não reparamos conscientemente nisso, e o céu, nessa fenda de respostas existenciais, ganha mais algumas utilidades. Por isso alguns de nós se espelham nele para contar sobre si e sobre o entorno. Os astros, em sua imparcialidade, se tornam vítimas perfeitas dos movimentos externos e internos de nós. E forjar a matéria de acordo com o que interpretamos ao olhar para o céu tem sido o escape mais imersivo (e divertido) possível. Isso tem sido visitado por mim como uma dádiva pré-capitalista que, ainda que em formas de softwares, não pôde ser vencida pela mercantilização, mesmo que essa a explore.

Durante séculos, olhamos para o céu para encontrar alguma coisa: uma medida do tempo, uma direção, uma ordem, um presságio, uma imagem. Antes de ser objeto de cálculo, o céu já era linguagem. E, mesmo depois de calculado, continuou sendo uma ferramenta, seja ela criativa e/ou diretiva. Com isso, Urania – nome da musa da astronomia no mundo helênico – nasce da reunião de intenções que partiram dessas interpretações celestes, que deixaram em mim impressões reflexivas. Símbolos que outrora faziam parte de antigas sociedades a qual o céu pairava naquele momento, hoje, com atualizações, podem ilustrar o imaginário da realidade material e espiritual, para os que veem nisso, sentido.

Outros [signos] também são introduzidos por outra ordem de fatores, como o inconsciente coletivo, espiritualidade e psicologias.

A intenção do site não está exatamente entre a ciência e o mito, nem entre aquilo que se considera racional e aquilo que se convencionou chamar de imaginário, mas no espaço em que essas coisas se tocam, se confundem e produzem formas. Interessa-me aquilo que permanece quando uma ideia deixa de ser apenas ideia e encontra uma imagem, um gesto, uma matéria, uma narrativa. Aquilo que uma época escolhe representar – e aquilo que, sem perceber, continua representando através dela. A astrologia é uma dessas formas. A estética é outra. Os símbolos atravessam ambas, mas não pertencem inteiramente a nenhuma. Eles sobrevivem às suas próprias origens, mudam de significado, reaparecem deslocados, são apropriados, esquecidos, reinventados. Tanto que uma constelação pode ser um conjunto de estrelas, um mito, um desenho, uma alegoria ou uma maneira de contar o tempo. E corpos podem ser observados, representados, interpretados. Uma imagem pode dizer aquilo que ainda não sabemos dizer de outro modo. Talvez seja por isso que me interessa olhar para essas coisas a partir do presente. Não para recuperar um passado intacto ou saber do futuro; nem para transformar símbolos antigos em respostas prontas para o nosso tempo, mas para observar o que fazemos com eles agora. O que escolhemos conservar. O que modificamos. O que volta a nos dizer alguma coisa, mesmo depois de ter atravessado séculos e mudado tantas vezes de nome.

Urania é, nesse sentido, um lugar de observação. Um lugar para acompanhar imagens, ideias e formas de pensamento em movimento; para perceber como diferentes criação do corpo e pelo corpo dão ao que não é imediatamente visível e como certos símbolos continuam produzindo sentido quando já não significam exatamente aquilo que significavam antes. Por fim, deixo aqui registrado um início que entre o céu, a imagem, o símbolo, a experiência e aquilo que uma cultura herda e aquilo que decide fazer com a sua herança, um suporte com alguns hobbies e ocupações profissionais.

att,

ariadne.